Brasil deve atingir média global de inseminação em cinco anos

Com cerca de 16% das matrizes inseminadas artificialmente, o Brasil ainda tem muito a crescer em termos de utilização da ferramenta em sistemas de produção para alcançar a média mundial de inseminação de fêmeas, de 22%. A colocação foi feita pelo professor titular do Departamento de Reprodução Animal da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ), Pietro Baruselli, em sua palestra na última noite da Jornada Técnica Angus Virtual, na quinta-feira (26/11). Segundo ele, se o índice de inseminação de vacas seguir crescendo a taxas médias de 10% ao ano, dentro de cinco anos o país deve atingir a média mundial. Otimista com os avanços que a prática pode trazer à pecuária nacional, ele admite que há desafios pela frente como a urgência em oferta de mão de obra especializada para operacionalização dos processos na fazenda.

Dados apresentados pelo pesquisador mostram que entre 83% a 85% do sistema de produção de bezerros no Brasil ainda hoje ocorre por monta natural, e que somente entre 15% a 18% se dão por inseminação artificial. Fato que, de acordo com Baruselli, ocorre principalmente porque os produtores ainda têm o conceito de que usar touros é melhor do que desenvolver um programa de inseminação. Entretanto, segundo o professor, são diversos os benefícios do cruzamento industrial e da IATF, que asseguram aos pecuaristas qualidade e quantidade. O cruzamento industrial, por exemplo, aumenta o ganho de peso, o peso de carcaça, a fertilidade, a precocidade, além de garantir melhor acabamento, marmorização e maciez à carne. “Os efeitos positivos da heterose e do vigor híbrido podem exacerbar a produção de sistemas principalmente no Brasil Central, onde temos zebuínos e a possibilidade de cruzamento com taurinos”, ressaltou.

Além de Baruselli, o presidente da Associação Brasileira de Inseminação Artificia (Asbia), Márcio Nery, discorreu sobre o avanço da ferramenta na pecuária nacional e apresentou dados que mostram que quando o assunto é qualidade de carcaça e marmoreio, a Angus é líder de mercado. Assim como quando se fala em peso de carcaça e em ganho de peso com um ano de idade, a raça se tornou referência com o passar dos anos. “A força da raça Angus é algo impressionante, não só por conta da fertilidade e pelo fato de ter uma Associação organizada nos Estados Unidos e no Brasil, mas pela sua força em genética”, destacou. No entanto, segundo o dirigente, ainda há o que evoluir para que o cruzamento industrial cresça no país. Em sua palestra, ele defendeu a necessidade de mais e melhor adesão aos programas nacionais de melhoramento, o desenvolvimento de índices econômicos baseados em desempenho, qualidade de carcaça e eficiência alimentar, além de expansão da genômica.

Confiante com o que vem pela frente em termos de cruzamento industrial, Nery sinalizou o crescente movimento do corte no leite (Beef on Dairy). “Ele representa hoje o maior crescimento de vendas do Angus nos Estados Unidos, na Europa e na Austrália. O maior crescimento vem do uso de sêmen de touros da raça em cima de vacas leiteiras holandesas e jersey”. A utilização dessa ferramenta já é uma realidade no Brasil, segundo o dirigente. “Esse movimento foi impactado com o uso do sêmen sexado em rebanhos leiteiros, onde o criador consegue planejar a reposição dele e o restante do rebanho, o que fica abaixo da média em termos de qualidade genética para a produção leiteira, é inseminado com touros Angus produzindo um animal F1 de muita qualidade e valor agregado. Acho que é um pouco inevitável o crescimento do uso da raça Angus em rebanhos leiteiros também no Brasil”, prevê.

A Jornada Técnica Angus Virtual ocorreu de forma totalmente virtual, em função da pandemia, nos dias 24, 25 e 26 de novembro. As três noites de evento podem ser assistidas através da plataforma própria da Jornada (https://jornada-tecnica-angus.encontrodigital.com.br/) ou do canal no YouTube da Associação (https://www.youtube.com/channel/UCEcsy3Vv9FWiAoV4_Kn5MMw).

Crédito: Leticia Szczesny

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