Maior lucratividade da pecuária depende de tecnologia e espírito vendedor

Apesar de ser o maior exportador de carne do mundo, o Brasil ainda tem um longo caminho a percorrer em termos de lucratividade da produção pecuária. Projetando os avanços para os próximos 10 anos, a tendência é de ganhos tecnológicos que venham pela mão do fomento técnico e do estímulo a um espírito empreendedor que ensine ao pecuarista a vender melhor o seu produto. A posição foi reforçada durante concorrida live “Zootecnia para a produção, logística e comercialização de carne brasileira na próxima década”, na noite de segunda-feira (4),no canal do Encontro de Raças de Corte (Encorte) no Instragram (@encorte_ufsm). O bate-papo contou com a participação da gerente nacional do Programa Carne Angus, Ana Doralina Menezes, diretamente de Bagé (RS), e do zootecnista, leiloeiro e consultor Guilherme Minssen, de Belém do Pará (PA).  O Encorte é realizado anualmente e, devido à pandemia, transferiu seus tradicionais debates para a internet. A agenda segue ao longo desta semana com mais quatro lives, sempre às 19h.

O tema lucratividade da pecuária deu o tom de diversos questionamentos dos internautas que cobram uma maior valorização do gado em um momento em que a rentabilidade dos frigoríficos tem influência positiva em função do dólar. “Quem derruba o preço do boi é a má gestão”, disparou Minssen, lembrando que enquanto o vendedor de gado pergunta quanto o mercado está pagando, o mesmo não se vê na comercialização de automóveis, por exemplo. “A revenda pergunta quanto você pretende pagar por um carro?”, comparou.

Minssen citou a importância do uso de genéticas melhoradoras na produção e que as pesquisas terão forte impacto na evolução da pecuária, principalmente no combate a problemas históricos que abocanham parte da renda da pecuária, como o carrapato. Os debatedores lembraram que, há 10 anos, falava-se que 40% dos pecuaristas iriam sair da atividade, o que não aconteceu. O que se vê hoje foi uma reinvenção, focada em qualidade, padronização e uso de genética. “A pecuária avançou a galope. Isso nos enche de orgulho, mas também vem com responsabilidade”, completou Ana Doralina.

Consciente que qualidade de carne não é algo que “se cria” no frigorífico, a gerente do Carne Angus lembrou que é no campo, por meio da escolha dos melhores animais e dos acasalamentos mais apropriados, que se chega à carne Premium. Contudo, reforçou que manter um padrão de entrega de carcaças premium é um grande desafio no Brasil, tendo em vista  o vazio forrageiro tão característico do primeiro semestre do ano. Apesar da seca no Sul do Brasil verificada em 2020 e das dificuldades das pastagens, os debatedores lembraram de exemplos de produção exitosa em áreas de pouca chuva, onde soluções criativas e o uso da irrigação garantem gado padronizado o ano todo. “Não tem volta. Ou mudamos ou alguém vai nos mudar”, desafiou Minssen, lembrando que o Brasil tem a maior produção de bovinos e suínos em 15 anos.

Ao abordar os impactos da Covid-19 na produção de carne, Ana Doralina frisou que, apesar de a produção ter tido uma leve redução, as equipes das indústrias estão empenhadas em garantir abastecimento. “A crise vai passar e precisamos estar preparados para o mercado”, alertou Minssen. E informou que o mercado do Pará é um forte usuário da genética Angus no cruzamento industrial para venda de animais superiores, o que exige “bois pretos e sem cupim”. O Pará, citou ele, é uma região que utiliza apenas 15% de sua área para produção e que vem expandindo a criação de animais com o foco em qualidade. “Há 15 anos, se alguém me dissesse que estaríamos produzindo Angus no Pará eu não acreditaria. Hoje, isso é uma realidade”, disse orgulhosa e médica veterinária gaúcha que viu o Carne Angus nascer no Rio Grande do Sul e expandir-se Brasil afora. E alertou: “em tempo de pandemia, comer carne vermelha é essencial porque aumenta a imunidade do organismo e a saúde geral das pessoas”.

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