Mais com menos

Seguindo a tendência de selecionar rebanhos para produzir mais com menos e resguardar os recursos naturais cada vez mais escassos, a raça Angus foca a seleção de animais para eficiência alimentar, um modelo que ganhou espaço e veio para ficar, inclusive nas pistas de remates. Em 2019, a Associação Brasileira de Angus realizou três provas com adesão de criatórios de diferentes regiões. Uma das mais disputadas foi a protagonizada pela Verdana Agropecuária, de Itatinga, no interior de São Paulo. A segunda edição do teste de eficiência alimentar do Centro de Referência Angus (CRA) contou com 87 touros de 12 propriedades do Brasil, alta de 33% em relação a 2018. Quem levou a melhor na disputa no cocho foi a LS Guarita, de Adriano Servelo, de Alegrete (RS). O touro LS Guarita 01 conclui a prova com os melhores escores em três das quatro categorias: Bezerro, Confinamento e Carcaça. Já em Rusticidade, quem levou a melhor foi a Agropecuária Nemitz, de Márcio Sudati, de Manoel Viana (RS), que venceu com o reprodutor Agronemitz TE526.

Os dados gerados foram utilizados para abastecer a base do Programa de Melhoramento de Bovinos de Carne (Promebo). Em junho, a diretoria e os inspetores técnicos da Angus estiveram na região para avaliar os reprodutores após a conclusão do teste. “Todos os touros foram comercializados em leilão virtual da Verdana. Os animais que tiveram melhor avaliação na prova foram os que obtiveram melhor resultado comercial. Os 30% superiores foram vendidos com resultado também 30% acima da média do leilão”, comemorou o vice-presidente de Fomento da Associação Brasileira de Angus, Felipe Cassol.

Para o diretor da Verdana Agropecuária, Bruno Grubisich, esse é um trabalho muito importante para o desenvolvimento do cruzamento industrial no Brasil. “A Angus e a Verdana andam de mãos dadas nesse projeto. Acreditamos que a raça é o tempero certo para o  uso com o Nelore.”

Outro teste que fez parte da agenda da Angus em 2019 foi o realizado em parceria com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), em Eldorado do Sul (RS). Depois de 52 dias de prova, o reprodutor que obteve melhor relação entre Consumo (CAR) e Ganho de Peso Residual (CGPR) foi o touro Angus Redbar Gretzky G395 V64 Lodi Prince, pertencente à Fazenda da Barragem, do criador Francisco de Paula Cardoso e filhos, de Dom Pedrito (RS). O teste contou com 19 reprodutores de 14 criatórios.  “Ter animais que produzam mais com menos alimento e menor emissão de gases é a chave da sustentabilidade na pecuária do futuro. Vamos multiplicar o G395 para melhorar a eficiência alimentar no nosso plantel e disponibilizar, via inseminação, sua genética para outros rebanhos, contribuindo para o melhoramento da raça Angus no Brasil”, indicou o diretor da Fazenda da Barragem e também geneticista Fernando Cardoso.

Em segunda colocação neste ano, ficou o touro Cia Azul 4228 Resourc Cia 1022, da Cia Azul Agropecuária, de Uruguaiana (RS), da criadora Susana Macedo Salvador. Em terceiro, destacou-se o reprodutor 3 Marias 247 South Dakota, da Estância Três Marias, do criador Francisco Amaral, de Santa Vitória do Palmar (RS). Na lista dos Touros de Elite – os seis com maior índice final para CGPR – também estão Santo Antão West River Matrix TE1181, da Cabanha Santa Antão, de Alegrete (RS), em quarto lugar; GAP T001/17, da Gap Genética, de Eduardo Macedo Linhares, de Uruguaiana (RS), em quinto; e Tolio TE454 Hilk 323, da Cabanha Tólio,s Farm, de Formigueiro (RS), em sexto.

O touro vencedor, que ingressou no teste com 564 quilos, concluiu a prova com 642 quilos, atingindo Consumo e Ganho de Peso Residual – CGPR (índice geral que relaciona CAR e GPR) de 1,38, resultado de um consumo residual de -1,325 quilos de ração/dia e de um ganho de peso residual de +0,054 quilos.  A engenheira agrônoma responsável pelo Setor de Confinamento do teste, Carolina Silveira da Silva, informou que o touro campeão comeu 1,325 kg/dia a menos do que o esperado para ele e 3,63 kg/dia a menos do que o exemplar menos eficiente no teste. “Se avaliarmos um período de 70 dias, isso representa uma economia de R$ 1,50 por dia em relação ao esperado e R$ 2,34 por dia em comparação ao animal menos eficiente, o que pode resultar em uma diferença de R$ 292,20 entre o que mais comeu e o que menos comeu”, ponderou.

Você encontra esse e mais conteúdos do Anuário Angus 2019 aqui.

Crédito: Carolina Jardine

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