Genômica: seleção refinada para os trópicos

A Associação Brasileira de Angus e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) fecharam, em outubro de 2019, convênio para dar seguimento aos trabalhos de seleção genômica dos rebanhos Angus. A ação tem previsão de duração de 36 meses e busca o desenvolvimento de uma metodologia e ferramenta para montar a população de referência necessária para dar início aos trabalhos no Brasil.  Entre as metas até 2022, explica o geneticista e pesquisador da Embrapa, Fernando Cardoso, está implementar um programa de genômica que permita seleção combinando adaptação aos trópicos à produção para característica de ganho econômico. “A expectativa é seguir incrementando a população de referência com mais animais genotipados, mas focando na formação de população para resistência ao carrapato. Com isso, teremos um diferencial para o Angus do Brasil, com um animal mais adaptado à seleção para os trópicos, focando em pelo curto e produtividade”.

Segundo o gerente de Fomento da Angus, Mateus Pivato, apesar de o projeto ser uma continuidade dos estudos realizado pela Embrapa nos últimos anos, é a primeira vez que a Associação Brasileira de Angus entra como parceira efetiva da pesquisa, o que foi viabilizado por meio de uma Parceria Público Privada (PPP).  Para entrar no projeto, a Angus ingressou com aporte de R$ 150 mil em parcela igual à aportada pela Embrapa. “Agora estaremos juntos discutindo o projeto que será desenvolvido até 2022. Nossa meta é estar com população robusta para fazer predições corretas”, informa Pivato.

A genômica é uma ferramenta complementar utilizada para refinar a seleção dos rebanhos ao redor do mundo. Desenvolvida a partir da genotipagem de uma população de referência com fenótipos já avaliados, ela permite prever características de um determinado animal com base em seus genes e antes mesmo que elas se manifestem. Um dos usos potenciais da genômica é para predizer aspectos de difícil mensuração, como animais mais resistentes ao carrapato e indexadores de ganho econômico de carcaça. Na prática, a ideia é dar ao criador mais tempo para aproveitar a genética de reprodutores melhorados, uma vez que, o proprietário já terá, logo após o nascimento, um checklist genético das potencialidades de cada novo animal de seu rebanho. “De posse dessas informações, ele poderá tomar decisões mais acertadas e aproveitar mais os exemplares superiores”, pontuou Pivato.

Mas a implementação da genômica no rebanho Angus brasileiro também depende dos pecuaristas. A Associação Brasileira de Angus pede aos criadores que participem do projeto, disponibilizando seu plantel para avaliação dos pesquisadores e remetendo material genético para embasar o estudo.

Você encontra esse e mais conteúdos do Anuário Angus 2019 aqui.

Crédito: Carolina Jardine

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