Comitiva verde-amarela

A proximidade ajudou, e o Brasil desembarcou no Secretariado Mundial de Angus com comitiva de mais de 40 pessoas, incluindo diretores, criadores e corpo técnico, que integrou o evento na agenda de sua reunião anual. Anfitrião do encontro, organizado com maestria pela Sociedade de Criadores de Aberdeen Angus do Uruguai, o presidente Álvaro Nadal conduziu os visitantes por algumas das cabanhas mais aclamadas do país vizinho. O roteiro teve passagem pela Estância Las Rosas (Florida), pela Estância Caraguata/Frigorífico Modelo (Tacuarembó) e verificou a qualidade do rebanho da Cabanha Bayucá (Salto). Com uma criação baseada na produção a pasto e de alto valor agregado, o Uruguai tem quatro bovinos para cada habitante, perfazendo rebanho de 12 milhões de cabeças, sendo que 40% do rebanho é Angus, e a meta é atingir 50% já em 2019.

Segundo Nadal, as perspectivas são as melhores, uma vez que raça que está em crescimento e a seleção está totalmente adaptada às necessidades dos campos da região. “Aqui trabalhamos com o Angus natural, um animal criado a pasto que exige animais que não sejam tão pequenos nem tão grandes que permitam adaptação e produção de carne de qualidade.” Contudo, alerta ele, o consumo não vem avançando tão rápido quanto se queria.

Atuando diretamente na organização do evento, o criador Luis Fernández abriu as portas da Estância Caraguata/Frigorífico Modelo para receber os visitantes e aproveitou para fazer o lançamento de marca de carnes. “A Angus teve crescimento exponencial nos últimos anos, não apenas pelo número de cabeças, mas pelo aumento das cabanhas que trabalham com a raça”, pontuou. E indicou que a essência da seleção uruguaia está exatamente em encontrar o equilíbrio de animais menores e com facilidade de engorde que carreguem fertilidade e grande habilidade leiteira.

Além das visitas pelos campos do Uruguai, o Brasil integrou a mesa de debates do congresso realizado em Punta del Este. Durante a reunião de cúpula que define os rumos do Secretariado Angus e a agenda de encontros internacionais, a Associação Brasileira de Angus foi representada por seu presidente, Nivaldo Dzyekanski, e pelo gerente de fomento, Mateus Pivato, que apresentaram ao colegiado os avanços da raça no Brasil. Segundo dados da Associação Brasileira de Inseminação Artificial (Asbia), as vendas de sêmen Angus no Brasil fecharam 2018 em total de 4.944.288 doses, alta de 28,3% em relação ao comercializado em 2017, quando a raça respondeu por 3.853.398 unidades.  A expansão registrada na Angus supera o desempenho do mercado nacional de sêmen para pecuária de corte, que registrou crescimento de 19,2% e atingiu a marca de 9,62 milhões de doses comercializadas entre todas as raças. Sozinha, a Angus responde por 51% de todo esse volume. “Os números confirmam que a Angus vem puxando a expansão do uso de genética de alta qualidade nos rebanhos brasileiros. E, mais que isso, vem agregando qualidade ao gado e à carne que produzimos”, pontuou Pivato.

Você encontra esse e mais conteúdos do Anuário Angus 2019 aqui.

Crédito: Carolina Jardine

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