Pontapé na avaliação do meio-sangue

Depois de anos em debate, o Brasil deu início, em 2019, a um inovador sistema de avaliação de animais meio-sangue com foco na produção de indexadores que permitam selecionar os exemplares Angus puros mais indicados para prática de cruzamento industrial. A busca de informações a campo começou na segunda quinzena de maio por meio de parceria entre a Associação Brasileira de Angus e o Programa de Melhoramento de Bovinos de Carne (Promebo). O trabalho iniciou-se pela elaboração de um protocolo de avaliação desses animais e teve sequência com treinamento realizado na Fazenda Joia, do criador Sandro Teixeira Menossi, em Londrina (PR). “Queremos saber quais são os melhores touros Angus para cruzamento com raças zebuínas, mas também entendemos que é essencial ajudar o usuário a escolher as vacas zebuínas que trarão melhor resultado a esse processo”, explica o gerente de Fomento da Angus, Mateus Pivato, lembrando que a pesquisa também conta com o apoio da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

Um trabalho que promete ajudar muito a vida dos usuários da raça, mas também de quem trabalha com a seleção de Angus Puro, principalmente em regiões onde os compradores têm foco na produção de bezerros meio-sangue. É o caso do mercado paulista, e foi o que se viu na  Exposição Angus Avaré 2019, realizada no município de Avaré, interior de São Paulo, onde o potencial para produção de carne de qualidade dos animais deu a linha mestra do julgamento. A pista comandada pelo argentino Manuel Lopez premiou a Fazendas Reunidas Pansul/Cabanha São Marco, de Itapeva (SP). A propriedade levou os títulos de grande campeã com a vaca Cayenne TESM024 Wide de São Marco e de grande campeão, com o touro Cash TESM030 Candelero de São Marco.

A meta do novo sistema de avaliação de animais meio-sangue é criar uma população de referência de, no mínimo, 2,5 mil animais meio-sangues avaliados. Mas, para isso, o projeto precisa da parceria de pecuaristas que, produzindo bezerros, queiram colocar seu rebanho a prova. O sistema, explica a superintendente do Promebo, Sílvia Freitas, é flexível e isento de taxas. Para participar, o  criador precisa ter controle da data de acasalamentos, do nome do pai e da mãe e de data de nascimento dos bezerros. O único custo previsto é com o deslocamento do técnico para avaliação dos exemplares, um processo similar ao realizado com o gado puro. Muitas vezes, comenta Sílvia, a análise dos bezerros é feita apenas ao desmame, já que muitos são comercializados antes do sobreano, o que não é um impeditivo para aderir. “O objetivo é iniciar o banco de dados de animais meio-sangue e seus progenitores e, para isso, precisamos de criadores parceiros que acreditem no potencial do cruzamento e na possibilidade de incrementar os ganhos conhecendo o desempenho genético de ventres e touros utilizados, considerando a habilidade de combinação de pais europeus com vacas zebuínas no ambiente tropical”, disse, salientando que há centrais de inseminação já dispostas a participar do projeto.

Você encontra esse e mais conteúdos do Anuário Angus 2019 aqui.

Crédito: Stephany Franco

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