Ultrablack: abram alas que eles chegaram

Onde estão esses novos animais? Posso ir lá ver? Como é mesmo o nome dessa nova raça? É “superpreto”? UltraAngus? AngusBlack? Não faltaram perguntas nem respostas para quem foi até a Expointer 2019 conferir a primeira exposição Ultrablack realizada no Brasil. A raça, que teve seu registro concedido para a Associação Brasileira de Angus em fevereiro de 2017 e tem composição de sangue de, no mínimo, 80% Angus e 20% zebuíno, teve em Esteio sua primeira prova de fogo com avaliação de 10 animais de dois criatórios. O pioneirismo coube à Cia Azul, de Susana Macedo Salvador, de Uruguaiana (RS), e à Fazenda 4 Linhas, do criador e técnico de futebol Luiz Antônio Venker Menezes, o Mano Menezes. “Foi um momento em que pudemos mostrar o Ultrablack para o mercado e para os criadores, raça que se constituiu como uma nova opção de composição genética sem perder o foco no melhoramento genético”, pontuou  a criadora, que saiu de Esteio com o feito de conquistar o primeiro grande campeonato da raça. Sob o crivo do jurado argentino Lucas Lagrange, a Cia Azul fez dobradinha ao vencer com as fêmeas do lote 3 (tatuagens 003V e 001V) e com os machos com o lote 5 (tatuagens 008V e 012V).

Segundo ela, o essencial ao selecionar a Ultrablack é ter foco nos programas de avaliação para as características de importância econômica, que, ao cabo, é o objetivo central de uso dessa genética. Isso porque a Ultrablack chegou ao Brasil como promessa para cruzamento com os ventres F1 AngusXNelore. “Temos de ter a convicção de estarmos selecionando animais mais produtivos e adaptados, que vão responder com maior rentabilidade ao produtor. As pessoas não estão mais dispostas a trabalhar com tanta subjetividade. Não tenho dúvida de que esse tem de ser o alicerce que vai conduzir a raça para o sucesso ou para o insucesso”, ressaltou.

Um dos critérios essenciais na hora de optar pela Ultrablack deve ser a condição do ambiente onde se dá a criação. Segundo o vice-presidente de Fomento da Angus, Felipe Cassol, o que se vê na nova raça é uma variante do Angus com uma pitada de zebu que lhe concede maior adaptabilidade em alguns lugares onde o Angus puro teria alguma dificuldade principalmente em função do grau nutricional das pastagens e para enfrentar o carrapato. “O criador de gado comercial tem no Ultrablack a opção de um sintético que tem uma capacidade de adaptação a pasto de menor qualidade e ambientes mais inóspitos, mas que garante a bonificação e todas as qualidades da genética Angus, como precocidade e habilidade materna”. Além disso, cita ele, também pode ser uma escolha para uso em ventres F1 de forma a manter suas crias com a heterose necessária e enquadramento no Carne Angus.

A médica veterinária e criadora, que chegou a comercializar um casal da raça durante a Expointer,  acredita que a Ultrablack é mais uma alternativa ao pecuarista e uma excelente opção para incorporar o sangue Angus em ambientes com maiores desafios. Contudo, seu uso exige atenção. “A Ultrablack, como qualquer outra raça com sangue europeu, não tem a rusticidade e adaptação de um Nelore. Mas todo mundo quer o máximo de sangue Angus que o ambiente permite pelas qualidades da raça. Então, para usá-lo em áreas de maior desafio de calor e carrapato, o produtor acostumado com Nelore tem de ter alguns cuidados e fazer adaptações no manejo e controle sanitário. Nesse momento, a condução dos técnicos é muito importante”, alertou a pecuarista, que atualmente conta com 200 animais Ultrablack no rebanho da Cia Azul.

Você encontra esse e mais conteúdos do Anuário Angus 2019 aqui.

Crédito: Gabriel Olivera

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