Porta fechada: e agora? Participação em exposições como a de Londrina deve ter mudanças em 2020

Prestes a interromper o trânsito de animais vivos em função da mudança de status sanitário para livre de febre aftosa sem vacinação, o Paraná ganhou destaque nos debates sobre pecuária e deve trazer substanciais mudanças no fluxo de rebanhos brasileiros em 2020. Estratégico na logística da raça Angus, o estado é considerado importante mercado para terneiros Angus e a porta de acesso para a genética de tradicionais criatórios do Sul para grandes mercados, como São Paulo, Mato Grosso e Goiás. Com a conquista, o Paraná iguala-se  a Santa Catarina, que obteve a chancela da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) em 2007.

Com a vacinação interrompida no final de outubro, o processo de fechamento de divisas, tanto para a aquisição de touros quanto de terneiros para terminação, ainda não foi detalhado efetivamente, gerando dúvidas e receios. Um dos pontos em aberto é a possibilidade de que os bloqueios sejam feitos de maneira gradual, permitindo, inicialmente, a passagem de alguns animais, até o fechamento total. O quadro trouxe, inclusive, reflexo na Temporada de Primavera 2019, quando criatórios paranaenses vieram ao Rio Grande do Sul em busca de genética para assegurar a diversidade dos plantéis.

Conforme o vice-presidente de Fomento da Associação Brasileira de Angus, Luis Felipe Cassol, o Paraná é uma praça que tende muito a se ampliar pela sua localização estratégica, mas também pelo crescimento do interesse de criadores da raça, que têm investido em rebanhos cada vez mais qualificados. Genética que pode ser conferida de perto por quem visitou a Expolondrina e que foi enaltecida pelo jurado da exposição: o sulafricano PJ Budler. Neste ano, a mostra que foi realizada em Londrina e em 2020 pode ter sua adesão de criatórios alterada pelo novo status sanitário, premiou a Casa Branca Agropastoril, do criador Paulo de Castro Marques, de Silvianópolis (MG), que conquistou o título de Grande Campeão com o  touro PWM Temp TEICB2005 Candelero. A fêmea Cayenne TESM024 Wide, da Fazenda São Marco, das Fazendas Reunidas Pansul, de Itapeva (SP), ficou com o título de Grande Campeã.

Com 9,2 milhões de cabeças, o Paraná espera que o novo status sanitário lhe permita um  grande salto, conquistando posição de destaque como produtor de carne bovina e autossuficiente na produção de bezerros, com o impulso do programa estadual Pecuária Moderna. Hoje em dia, os criadores paranaenses trazem muitos animais de outros estados brasileiros para engorda.

Como reflexo do movimento adotado pelo Paraná e também para não perder espaço, o Rio Grande do Sul deve seguir no mesmo caminho e retirar a vacinação como prevê o programa nacional de erradicação e prevenção da febre aftosa (PNEFA), que conta com um Plano Estratégico de 2017 a 2026, coordenado pelo Ministério da Agricultura.  A Secretaria Estadual da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural do RS, que está à frente desse debate, ainda aguarda a divulgação do relatório da auditoria feita em setembro de 2019 para, então,  promover novas discussões sobre o fim da imunização, antes de encaminhar uma solicitação formal ao Ministério.

Você encontra esse e mais conteúdos do Anuário Angus 2019 aqui.

Crédito: Mauren Xavier

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