Responsabilidade no rótulo

Consolidado no setor industrial, o processo de certificação da carne Angus chegou às fazendas. Alinhado com o desejo dos consumidores de ter cada vez mais informação sobre a procedência dos produtos, o Programa Carne Angus lançou, em junho de 2019, o Selo Sustentabilidade, uma chancela para propriedades que praticam boas práticas em sustentabilidade, responsabilidade social, rastreabilidade, sanidade, bem-estar animal e biossegurança. “Agora, a Angus abre uma nova frente de certificação ao olhar para o campo e incluir nos rótulos de sua carne informações que são importantes a esse novo consumidor”, pontua a gerente do Programa Carne Angus, Ana Doralina Menezes. O selo vem completar a família de certificações Angus, ao lado da tradicional marca verde-amarela que estampa toda a Carne Angus Certificada e do selo Angus Gold, que chancela cortes Premium e de alto grau de marmoreio.

O projeto Sustentabilidade começou em Minas Gerais, em parceria com o Grupo ARG, responsável pela marca Carapreta, mas já tem muita gente na fila para receber a auditoria da certificadora alemã TÜV Rheinland, responsável pelas verificações a campo. Homologado pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil e pelo Ministério da Agricultura, o projeto prevê um checklist detalhado de questões como descarte adequado de embalagens de defensivos, manutenção de áreas de preservação e até frequência escolar de filhos de funcionários. O ineditismo do tema chamou atenção do Grupo de Trabalho da Pecuária Sustentável (GTPS), do qual a Associação Brasileira de Angus faz parte e onde apresentou detalhadamente o protocolo de ação a criadores de todo o país. Segundo o presidente do GTPS, Caio Penido, o Brasil é um país que mantém práticas de conservação ambientais nos padrões requisitados no mundo inteiro e tem potencialidade para atender à alta demanda alimentar de grandes importadores. Esse processo, frisa ele, precisa estar dentro de práticas como melhoramento do balanço de carbono, rotação de culturas, integração lavoura-pecuária, entre outros. “Mas não importa só termos essas características. Temos de que comprová-las. As pessoas que não concordam com desmatamento deveriam consumir mais carne certificada”, opina, lembrando o fato de que o Brasil tem 60% de sua área florestal preservada.

A relevância de entender esse novo consumidor foi o foco do Seminário Angus 2019, realizado na Expointer. Ao lado de especialistas e de quem ajudou a Angus a tornar esse sonho uma realidade, Ana Doralina pontuou que é necessário avançar na aproximação com o consumidor, questão-chave do Selo Sustentabilidade e do Programa. “Buscamos entendê-lo para que possamos atendê-lo. Trabalhamos numa cadeia produtiva em que quem manda é o consumidor”, destaca.

Mas o projeto Sustentabilidade vai muito além de anseios comerciais. Segundo o gerente do grupo ARG, Vitoriano Dornas Neto, a preocupação ao tomar a frente desse processo era realmente chancelar o modelo sustentável aplicado na fazenda Santa Mônica, propriedade localizada em São João da Ponte, uma das regiões mais áridas e pobres de Minas Gerais. Os ganhos comerciais complementaram a ideia. “Assim, com base no mercado, vimos que seria estratégico entrar com esse programa”, avalia. Atualmente, são produzidas 500 toneladas mensalmente para o Selo Sustentabilidade. A projeção, adianta Neto, é dobrá-la no médio prazo, meta que está dentro da capacidade produtiva da propriedade.

Para garantir a permanência no programa, Vitoriano Dornas Neto frisa que são feitas reuniões, consultorias e treinamentos com os funcionários da fazenda. Além disso, o grupo segue uma rotina de acompanhamentos conforme os relatórios da certificadora alemã TÜV Rheinland. “Estamos numa época de tendência de alimentos saudáveis, de preservação do meio ambiente, de bem-estar animal. O consumidor se preocupa com essas questões e está disposto a pagar por isso”, expicou o gerente de Operações de Projetos Customizados da TÜV Rheinland, Guilherme Beil Amado, confiante de que o selo de acreditação das fazendas completa o processo iniciado com a certificação de carcaças já realizada no Programa Carne Angus.

Os ganhos vão além da conquista da confiança do consumidor brasileiro. Segundo Amado, a chancela da TÜV é porta para novos mercados fora do país, uma vez que tem presença em 500 escritórios espalhados pelo mundo. “Isso facilita quando se divulga o programa fora do Brasil”, opina.

Você encontra esse e mais conteúdos do Anuário Angus 2019 aqui.

Crédito: Carolina Jardine

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