Sala de aula de grandes mestres: é nas pistas do Parque da Pastoril que muita gente aprende o bê-á-bá sobre a raça

Uruguaiana é uma terra de tradição pastoril. Mais do que campos dourados e rebanho de primeira, a cidade colhe todos os anos uma farta safra de profissionais graduados em Medicina Veterinária, Zootecnia, Agronomia e outros cursos relacionados diretamente ao agronegócio. Muita “gente grande” se fez nas salas de aula da Fronteira-Oeste, alguns por já terem campos por essas bandas, outros pela convicção de que era lá o melhor local para aprender, na prática, a lida que lhes faltava.

E até hoje é assim. Basta agendar uma gira para ver fervilhar estudantes querendo saber mais sobre a pecuária e seus sistemas mais produtivos. Foi o que se viu em abril deste ano na Exposição de Uruguaiana, quando alunos da disciplina de Melhoramento Genético Animal e professores foram até o Parque da Pastoril e Agrícola para acompanhar palestras técnicas. Formado em Uruguaiana e expert na tarefa de treinar especialistas na raça Angus, o inspetor técnico Flávio Montenegro Alves aproveitou para explicar o sistema de avaliação de reprodutores adotado pelo Programa de Melhoramento de Bovinos de Carne (Promebo) e como interpretar os dados constantes no Sumário de Touros. A partir de 2019, a publicação traz os percentis exatos obtidos pelos touros para enquadramento nas classes Deca 1 (10% superiores), 2 (20% superiores), 3 (30% superiores) e 4 (40% superiores).

Na plateia, a mestranda Bibiana Bastos Giudice, de 23 anos, observava atenta aos ensinamentos ao lado dos colegas da Unipampa, universidade que escolheu pela possibilidade de casar a teoria com a prática da fazenda. Terceira geração da São Bibiano, uma das cabanhas mais tradicionais da região, a menina de sorriso alegre revela paixão pela lida e pelo estudo. “Escolhi fazer veterinária porque gostava muito do campo. Ao fazer estágios, pude acompanhar a necessidade que se tem nessa área nas propriedades.”

A Exposição de Uruguaiana também teve aula prática para quem enfrentou a chuva fria para assistir ao julgamento comandado pelo argentino Carlos Ojea. Neste ano, o touro Santa Ângela TEI 441 Unmistakable, da Cabanha Santa Ângela, de Frederico Fittipaldi Pons, sagrou-se grande campeão. Nas fêmeas, o grande campeonato foi para a Estância do Espinilho, de Roberto Soares Beck, de Cruz Alta (RS). A vitória foi conquistada pela vaca Espinilho Priority 1615, que se apresentou com cria ao pé e foi classificada por Ojea como um exemplar de grande beleza, equilíbrio e muito produtiva. No julgamento de rústicos, a Cabanha Tellechea, de Sérgio Bastos Tellechea, de Uruguaiana (RS), sagrou-se campeã com lote de terneiras de tatuagens 3061, 3045 e 3041.

Mas vivenciar o trabalho de seleção não se esgota em dias de julgamento para quem estuda no Pampa. O médico veterinário e professor Ricardo Oaigen conta que a região favorece a possibilidade ideal para interação com produtores e fazendas. “Aqui se vivencia no campo o que o professor está ministrando em sala de aula”. Uma das oportunidades é o projeto de extensão Grupo de Trabalho Pecuária do Amanhã (GTPA), que leva os estudantes para propriedades da região para interagir com os pecuaristas, entre eles alguns criatórios de Angus, como a Cia Azul, Rincon del Sarandy e Agropecuária Nemitz. “Trabalhamos com uma visão multidisciplinar em que os alunos vão até as fazendas ver quais são os dilemas dos criadores. A região acolhe muito bem a Unipampa.”

Você encontra esse e mais conteúdos do Anuário Angus 2019 aqui.

Crédito: Carolina Jardine

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