Angus lança Selo Sustentabilidade

A Associação Brasileira de Angus dará início, neste mês de junho, ao projeto Angus Sustentabilidade, um novo selo a ser estampado nos produtos Angus e que atestará cortes produzidos dentro de rígidas normas baseadas em seis pilares: sustentabilidade, responsabilidade social, rastreabilidade, sanidade, bem-estar animal e biossegurança. O programa, lançado oficialmente em evento neste dia 27 de junho, em Belo Horizonte (MG), será auditado pela certificadora alemã Tüv Rheinland e começa exatamente pelo estado de Minas Gerais. Segundo o presidente da Associação Brasileira de Angus, Nivaldo Dzyekanski, o Selo Angus Sustentabilidade é uma forma de atestar oficialmente um compromisso que os pecuaristas da raça têm com o meio ambiente e seus animais. “Quem trabalha no campo sabe que é impossível operar com pecuária sem respeito ao ecossistema e à vida”, salientou o dirigente, confiante da expansão do projeto nos próximos meses.

O projeto piloto do Angus Sustentabilidade foi desenvolvido em parceria com a Fazenda Santa Mônica, propriedade do grupo mineiro ARG. A empresa, que deu início à produção de carne Angus certificada há pouco mais de um ano, é a primeira do país a adotar o novo selo e tem como meta ofertar ao mercado 500 toneladas ao mês. Para isso, o grupo ARG investiu R$ 20 milhões em linha exclusiva de desossa do Frigorífico Dimeza, em Contagem (MG). A produção comercializada advém de duas fazendas que, juntas, têm 60 mil cabeças.

A aposta do Grupo ARG na raça Angus embasa o conceito da nova linha de carnes Cara Preta, que está sendo lançada no mercado mineiro em evento festivo na noite desta quinta-feira. “Nosso destaque são os animais Angus superprecoces abatidos entre 12 e 14 meses, resultado de uma seleção rigorosa para oferecer ao mercado a melhor carne do Brasil”, pontuou o diretor de Agronegócios do Grupo ARG, Vitoriano Dornas Neto. A ideia, explica ele, é focar no mercado de food service e boutiques. As metas são audaciosas e, em janeiro de 2020, o grupo quer atingir a marca de 750 toneladas/mês. “Estamos investindo forte em todas as etapas da produção, da seleção genética até a indústria, para ter a melhor carne do Brasil.”

Após o piloto em Minas Gerais, o Selo Angus Sustentabilidade deve ser incorporado por outras linhas de corte Angus no país nos próximos meses. Segundo a gerente nacional do programa Carne Angus, Ana Doralina Menezes, a tendência é que o selo Angus Sustentabilidade ganhe força nas principais empresas que operam com Angus no país. “Estamos atendendo a novas correntes de comportamento de consumo. As famílias buscam mais informações sobre os produtos que adquirem, querem a garantia de que a carne que consumem não agride ao meio ambiente e é produzida dentro das mais rígidas normas de bem-estar animal, entre outros quesitos”.

Como funciona o Selo Sustentabilidade

O regramento da certificação é regido por protocolo da Associação Brasileira de Angus. À associação, cabe o dever de selecionar e credenciar propriedades aptas e assegurar o cumprimento das regras de enquadramento. Para isso, a Angus destinará técnicos para acompanhar os processos produtivos nas propriedades credenciadas e orientar os pecuaristas sobre boas práticas de produção, após estas propriedades poderão serão auditadas por uma empresa internacional de terceira parte.

Em sendo habilitadas, as fazendas receberão o selo do Programa Angus Sustentabilidade. “É importante citar que o Carne Angus é único programa brasileiro que passa pela auditoria de uma certificadora externa, garantindo a conformidade das etapas que realizamos dentro da indústria, até a saída do produto, e com este selo mais uma etapa se soma a esta chancela”, salientou o diretor do Programa Carne Angus, Milton Martins Moraes Filho. A previsão é que o selo de Sustentabilidade agregue um valor adicional de cerca de 10% em relação aos cortes Angus convencionais.

Exigências para receber o Selo Sustentabilidade

Para receber o Selo Sustentabilidade Angus, é preciso que as propriedades rurais sigam rigorosamente as normativas previstas no protocolo da Associação Brasileira de Angus. O texto determina como exigências básicas para o recebimento de selo:

– Animais 100% rastreados;

– Animais com, no mínimo, 50% de sangue Angus,

– propriedades rurais independente do sistema de criação,

Padrões e Critérios de Sustentabilidade, Responsabilidade Social, Biossegurança, Sanidade e Bem-Estar Animal, atestados por check-list de auditoria externa

Alguns itens considerados:

– Preservação de vegetações nas nascentes e em área de reserva natural

– Descarte adequado de embalagem vazias de defensivos agrícolas e de medicamentos

– Não fazer uso de queimadas

– Plano de recuperação de áreas degradadas

– Não usar mão de obra infantil ou escrava

– Funcionários devidamente registrados

– Fornece Equipamento de Proteção Individual (EPI)

– Filhos de funcionários devem estar matriculados na escola

– Uso correto e controlado de antibióticos dentro dos prazos definidos por lei

– Registro de aplicação de medicamentos por animal

– Medidas anti-estresse animal

– Respeito ao limite de área mínima por animal conforme o sistema produtivo

 

Fotos: Carolina Jardine

 

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